Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho
Continuando o capítulo XIII...
Surge, afinal, o atentado contra a vida de Dom José I, em 1758. No dia 3 de setembro desse ano, quando regressava de uma entrevista ao Palácio da Ajuda, o soberano foi alvejado a tiros de bacamarte, partidos de um grupo de pessoas desconhecidas. (...) Instaurou-se um processo que terminou, apesar de todas as suas clamorosas irregularidades, com a sentença de morte para todos os implicados. (...) Os condenados sofrem os mais horrorosos suplícios em Belém e a própria D. Leonor Tomásia, Marquesa de Távora, foi decapitada.
Pombal aproveita o ensejo que se lhe oferece para justificar a expulsão dos jesuítas, apontando-os como autores indiretos do atentado e D. José I, a instâncias do seu valido, assina sem hesitar o decreto de banimento.
Esse ato de Pombal se reflete largamente na vida do Brasil. Todo o movimento de organização social se devia, na colônia, aos esforços dos dedicados missionários. (...) Os jesuítas (...) sempre trabalharam, no início da organização brasileira, dentro dos mais amplos sentimentos de humanidade. Aldeavam os índios, aprendiam a "língua geral", a fim de influenciarem mais diretamente no ânimo deles, trazendo as tabas rústicas às comunidades da civilização e foram, talvez, naqueles tempos longínquos, os únicos refletores dos ensinamentos do Alto, advogando o seu verbo inspirado a causa de todos os infelizes. A sua expulsão do Brasil retardou de muito tempo a educação das classes desfavorecidas e, se o ministro de D. José I estendeu algumas vezes o seu dinamismo renovador até à Pátria do Evangelho, sua ação poucas vezes ultrapassou o terreno material (...).
(Trecho extraído do livro "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho", de Chico Xavier, pelo espírito Humberto de Campos, pgs. 111-112).
Marquês de Pombal e a expulsão dos jesuítas

Durante muito tempo o ouro do Brasil sustentou o luxo e o esbanjamento da corte de dom João V. Construíram-se igrejas, conventos e palácios e a nobreza portuguesa vivia como se este ouro nunca mais fosse terminar.
Quando, em 1750, o rei dom João V morreu, Portugal encontrava-se em grave crise econômica. (...)
O novo rei, dom José I (1750-1777), nomeou como primeiro-ministro Sebastião de Carvalho e Melo, o futuro Marquês de Pombal, que durante 27 anos comandou a política e a economia portuguesa. Ele reorganizou o Estado, protegeu os grandes empresários, criando as companhias monopolistas de comércio. Combateu tanto os nobres quanto o clero e reprimiu igualmente as manifestações populares (...).
O terremoto que destruiu Lisboa, no final de 1755, fez com que o marquês de Pombal recebesse do rei mais poderes para reconstruir a cidade e a economia do país, que estava à beira da falência.
A colônia era peça importante na política econômica de Pombal. Além da criação das companhias de comércio, (...) houve o aumento da cobrança de impostos, na região das Minas, onde foram criadas as casas de fundição e fixadas quotas anuais de produção de ouro.
Em conformidade com uma política de consolidação do domínio português no Brasil, Pombal consolidou o Tratado de Madrid, que ampliava as fronteiras, tanto no Norte quanto no Sul, entrando em confronto direto com as missões jesuíticas. (...)
Pombal, acusando os jesuítas de conspirar contra o Estado, expulsou-os de Portugal e de seus domínios em 1759, confiscando seus bens. A França, a Espanha e os demais países europeus adotaram a mesma medida, e o próprio Vaticano extinguiu a ordem em 1773. (...)
(Fonte: http://geocities.yahoo.com.br/terrabrasileira/contatos/pombal.html, acessado em 20/4/05.)

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Escrito por Mari às 10h21
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