Relicario de Mari


Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho

Encerrando o capítulo XII...

"A igreja, no Brasil, abre o seu culto a São Benedito e a Nossa Senhora do Rosário, tornando-se um refúgio de doce consolação para os pobres africanos. As ordens religiosas possuíam os seus pretos, que eram bem tratados e jamais poderiam ser vendidos. Nas fazendas, agrupavam-se eles em famílias, que, as mais das vezes, eram plenamente alforriadas em testamento dos proprietários. Todos os hábitos em voga, na época, dão testemunho da liberdade brasileira, porquanto, em nosso país, nunca a emancipação foi impedida por lei, como em outras nações. A filantropia dos brasileiros cedo começou o movimento abolicionista, e a prova da profunda assistência espiritual que acompanhava essas ações na Pátria do Evangelho é que nunca teve o Brasil um código negro, à maneira da França e da Inglaterra. E a verdade espiritual, que paira acima das considerações de todos os historiadores, é que Ismael preparou aqui a oficina da fraternidade, onde os negros incompreendidos vinham erguer a pátria da sua descendência. Se sofreram nas mãos de alguns escravocratas impiedosos, seus prantos e sacrifícios iam florescer ao tênue rocio das bênçãos do céu, na terra do Evangelho, clarificando-lhes, mais tarde, os caminhos, quando seus corações resignados e sofredores se dilatassem, na alma fraterna dos filhos e dos netos."

(Trecho extraído do livro "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do evangelho, de Chico Xavier, pelo espírito Humberto de Campos, pgs. 107-108, itálico e grifo nosso.)


Segundo o dicionário Aurélio Século XXI ... rocio significa "orvalho". E no sentido figurado, segundo o mesmo dicionário, orvalho significa "Aquilo que refrigera, acalma, consola."

 São Benedito

"São Benedito nasceu na Sicília, Itália, em 1526. Seus pais eram descendentes de escravos vindos da Etiópia, e mais tarde libertos por seus senhores, tomando o sobrenome dos mesmos. Sua família era pobre e o Mouro, como era chamado, foi pastor de ovelhas e lavrador. Aos 18 anos decidiu consagrar-se ao Senhor, mas somente aos 21 anos foi chamado por um monge para viver entre os Irmãos Eremitas de São Francisco de Assis. Professou os votos de pobreza, obediência e castidade. Andava descalço, dormia no chão sem cobertas e fazia muitos outros sacrifícios. Muitas pessoas o procuravam pedindo conselhos, orações e alcançavam muitas curas.

Depois de 17 anos, foi obrigado a se mudar para o Convento dos Capuchinhos, onde foi escalado como cozinheiro, permanecendo nesse humilde serviço até que foi eleito pelos seus irmãos de comunidade como superior do Mosteiro. Era leigo, analfabeto, mas foi eleito por sua santidade, prudência e sabedoria. (...) Tendo concluído seu período como superior, retornou com humildade e naturalidade para a cozinha do convento, reassumindo com alegria as funções modestas que antes desempenhara.

Sempre que podia, São Benedito apanhava alguns alimentos do convento, metia-os nas dobras do burel e, disfarçadamente, os levava aos necessitados. Conta-se que numa dessas ocasiões, o santo foi surpreendido pelo superior do convento, que perguntou: "Que levas aí, na dobra do teu manto, irmão Benedito?". E o santo respondeu: "Rosas, meu senhor!". São Benedito desdobrou o burel franciscano e, em lugar dos alimentos suspeitados, apresentou aos olhos pasmos do superior uma braçada de rosas.

Amado de Norte a Sul do Brasil, onde o chamam "O Santinho Preto", São Benedito morreu em 4 de Abril de 1589 em Palermo, na Itália. O culto de São Benedito, um dos mais populares do país, é associado aos padecimentos do negro brasileiro." (Fonte: http://ositedossantos.vilabol.uol.com.br/sao_benedito.html)


  Nossa Senhora do Rosário

Amigos, encontrei "duas versões" para conhecermos Nossa Senhora do Rosário. É claro que é a mesma Maria, que se fez serva de Nosso Pai e nos trouxe Jesus... Mas com essas duas "histórias", podemos conhecer o porque do "rosário" e a relação com os negros no Brasil. Vejamos...

 "O Rosário nasceu do amor dos cristãos por Maria na época medieval, talvez no tempo das cruzadas da Terra Santa. O objeto da recitação desta oração, o terço, é de origem muito antiga. Os anacoretas orientais usavam pedrinhas para contar o número das orações vocais. (...) Depois, narra uma lenda, a própria Nossa Senhora, aparecendo a São Domingos, indicou-lhe a recitação do Rosário como arma eficaz para debelar os hereges albigenses.

Nasceu assim a devoção do Rosário, que tem o significado de uma grinalda de rosas oferecida a Nossa Senhora. Os promotores desta devoção foram os dominicanos, que também criaram as confrarias do Rosário. Foi o papa dominicano, São Pio V, o primeiro a encorajar e a recomendar oficialmente a recitação do Rosário, que em breve se tornou a oração popular por excelência, uma espécie de breviário do povo, para ser recitado à noite em família. (Fonte: http://www.geocities.com/Heartland/Bluffs/6737/Rosario/Rosario2.htm)

"A devoção a Nossa Senhora do Rosário estava muito em voga no Brasil, principalmente entre os escravos. Correia Pinto, que, a 22 de novembro de 1766 fundou a cidade de Lages, era muito devoto de Maria. Aí pelo ano de 1768 construiu uma capela em honra de Nossa Senhora dos Prazeres. Uns 100 anos depois, em 1870, a capela ameaçava desmoronar. Foi então que um estrangeiro, Manoel Joaquim de Arruda, que havia de fundar São Joaquim, fez a promessa de adquirir uma imagem de Nossa Senhora do Rosário e erigir uma capela para os escravos. Conseguiu uma bela imagem, que provavelmente veio de Portugal (...). Destruiu então a velha Capela-Matriz e, em seu lugar, construiu a Capela de Nossa Senhora do Rosário. (...)

A Capela de Nossa Senhora do Rosário continuava tendo grande afluxo de fiéis, sobretudo dos escravos, mesmo depois da abolição da escravatura. Os especiais festejos celebram-se a 13 de maio, data da abolição." (Fonte: http://www.redentoristas.com.br/historico.htm, adpatação.)


 

Rosas para Maria, nossa Mãe Santíssima! Rosas para São Benedito e para todos os negros que construíram o nosso Brasil! Rosas para Ismael, nosso Anjo Lindo! ROSAS PARA VOCÊS!!!



Escrito por Mari às 08h37
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Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho

Continuando o capítulo XII...

"(...) Ismael, com as suas hostes do mundo invisível, consegue harmonizar lentamente os interesses espirituais de quantos se haviam estabelecido na Pátria do Cruzeiro. Sob a sua inspiração, a igreja torna-se a protetora necessária da mentalidade infantil daquela época. Os templos da colônia abrem as portas para todos os infelizes e para todos os tristes. (...)

Sob as vistas condescendentes da igreja, os mensageiros do espaço se fazem sentir mais fortemente junto dos senhores, amenizando a situação amargurada dos míseros cativos. Sob as suas influências indiretas, organizam-se correntes de filantropia, do mais elevado alcance. Costumes fraternos surgem espontaneamente no seio da população de todas as cidades brasileiras. O hábito de apadrinhar os negros faltosos, ou fugitivos, nunca é desrespeitado pelo senhor. Reconhece-se o direito de propriedade aos escravos, e o costume de ceder um dia ou dois aos trabalhos dos cativos é confirmado por lei, em 1700. Alastra-se o precioso movimento das alforrias na pia batismal, onde, com um óbolo insignificante, são declarados livres os filhos dos escravos. As associações dos negros nas grandes cidades do país, para realização das suas festas de saudade das paisagens africanas, são numerosas, com permissão de todas as autoridades. Os festejos originais do Rei do Congo se levam a efeito com brilho, a expensas dos senhores.(...)"

(Trecho extraído do livro "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho", de Chico Xavier, pelo espírito Humberto de Campos, pgs. 106-107).

 


Os Arturos

Desde o início da Capitania das Minas Gerais que um tipo específico de catolicismo desenvolveu-se na região. Trata-se do catolicismo de confrarias organizado por leigos(as). Entre essas confrarias encontravam-se as diversas irmandades religiosas de negros(as), as quais preservavam, no seu interior, “sobrevivências religiosas africanas”(Bastide, 1985). (...)

Em que pese as diversas versões sobre a origem das congadas, tão bem sintetizadadas por Brandão(1987) em seis pares opostos, os quais ora remetem a uma origem africana, ora a uma estratégia ideológica  de legitimação da ordem colonial; ora são formas folclóricas essencialmente africanas, ora são oriundas de tradições européias,  as congadas (o Congado como costumam dizer os seus praticantes em  alguns lugares de Minas Gerais), contemporaneamente continuam sendo  práticas sócio-culturais realizadas por negros e negras devotos(as) de Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e Santa Efigênia.

Em Minas Gerais, entre as dezenas de grupos negros que preservam a tradição do Congado, a Comunidade dos Arturos se destaca, basicamente, por constituir-se de um agrupamento familiar que, pelo menos, desde o início da década 20, conta com registros da participação do seu fundador: um dos membros da guarda de N. Senhora do Rosário de Contagem-MG.

Arthur Camilo Silvério, pai-fundador da comunidade supracitada, além do nome Arturos, o qual designa a relação de parentesco com ele, deixou para seus descendentes a posse de um sítio denominado Domingos Pereira. A referida propriedade foi adquirida em 1888, por seu pai Camilo Silvério. Portanto ele era um dos herdeiros da mesma.
Segundo foi possível concluir a partir das entrevistas realizadas com “os mais velhos”, somente  por volta da década de 40, Arthur Camilo Silvério estabeleceu-se com sua esposa Carmelinda Maria da Silva e seus(as) filhos(as)  no sítio, hoje, denominado Comunidade dos Arturos. (...)

Ao mudar-se para Contagem, Arthur Camilo Silvério ampliou sua rede de amizades a partir da devoção a Nossa Senhora do Rosário e do Congado. Entre seus amigos destacava-se José Aristides, chefe Supremo do Congado no Brasil, com o qual estabeleceu uma relação  de troca de conhecimentos do universo dos “congadeiros”. Segundo informação  dos filhos de Arthur Camilo Silvério, o relacionamento entre este e José Artistides foi importante na transmissão dos conteúdos do Congado. (...)

A partir do final da década de 50,  D. Carmelinda, juntamente com seus  dez filhos, tomou para si a responsabilidade de preservar aqueles festejos, pugnando para que as novas gerações não deixassem de reatualizar, nos meses de maio e outubro, o Reinado de Nossa Senhora do Rosário. Nos cantos, nas danças, no toque dos instrumentos e na expressão facial do(a) “congadeiro(a)”, os Arturos reverenciam a memória dos antepassados, “dos tronco véio”. Eles sabem que ao realizar a festa do Rosário, através dos dançantes guardas de Congo e Moçambique, além de rememorarem as terras africanas, trazem para perto de si, seus entes queridos. “E isso muda tudo”, porque eles fogem da “anomia social” que estariam relegados pela sociedade de classe, como a maioria dos negros descendentes de africanos escravizados.

Vale ressaltar que, atualmente, a Comunidade dos Arturos é composta por 44 famílias que residem na propriedade, cujos membros exercem atividades no mercado de trabalho de Contagem. Através da pesquisa de campo constatamos que a faixa salarial varia entre um a cinco salários mínimos. Eles(as) são motoristas de caminhão, vigias, trabalhadores da construção civil, empregadas domésticas, lavadeiras, faxineiras, empregados(as) em algumas fábricas e há uma professora do ensino fundamental e médio. Há, ainda, os que exercem alguma atividade agrícola nas terras da Comunidade. (...)

(Fonte: http://www.educacaoonline.pro.br/congado_e_o_funk.asp?f_id_artigo=309)

Os Arturos. Festa N. Sra. do Rosário em Contagem - MG. Fonte: http://www.preac.unicamp.br/casadolago/img/Dscn0042.jpg


FLORES PARA VOCÊS!!!!




Escrito por Mari às 08h29
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Mensagem de Jesus

Amigos, não vou hoje, ainda, voltar a colocar o "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho".

Vou colocar uma mensagem de Jesus... Somente com Ele, conseguiremos, realmente ser felizes, como nosso Pai planejou...


"Somente de mãos unidas conseguiremos agasalhar o mundo, porque o calor de almas entrelaçadas aquece corações.
Assim deveremos viver, em nome do nosso Pai de amor e de bondade.
Sejamos bons amigos para que a bondade nos inspire.
Sejamos leais para com o Céu, para que o Céu nos abençõe.
Sejamos amigos. A amizade nos esclarecerá sobre as necessidade dos companheiros e amemo-nos uns aos outros, porque eu vos conduzirei pela senda de um amor que ilumina, redime e santifica.
Amados meus, estenderemos a paisagem do Tiberíades das nossas emoções santificadas e da nossa fé arrebatadora para o século de hoje. A caravana da fé passará incansável, levando as flores e a água que alegram e dessedenta.
A minha cruz dirá, como no passado, que a porta de Deus é estreita, mas guarda, além dos seus portais, os verdes campos da casa do nosso Pai.
Aceito a reverência, abençôo o esforço e compartilho das emoções.
Estejamos unidos, conscientes de que a fraternidade é o calor de Deus, que passa pelo coração do homem, com destino à Humanidade inteira.
Tende bom ânimo. Eis que estarei sempre convosco."
Jesus

(Mensagem recebida em 13 de abril de 2003, na Fundação Caminho, Verdade e Vida, por Berenice Brandão Andrade, antes da estréia da peça teatral “Há 2000 anos”, que se deu na quinta-feira santa, dia 17.)



OS LÍRIOS DA MINHA AFEIÇÃO PARA VOCÊS!!!!



Escrito por Mari às 10h16
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