Relicario de Mari


Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho

XI - OS MOVIMENTOS NATIVISTAS

 Litografia de Rugendas. Guerrilhas. Fonte: www.nascente.com.br/rugendas

"A procura do ouro constituía a ansiedade incentivadora de todos os espíritos. (...)

(...) somente mais tarde as bandeiras audaciosas, iniciadas com a coragem paulista, rasgaram os véus espessos do cipoal da mata virgem, descobrindo os vastos lençóis de uma infinita riqueza. (...)

Por essa época, multiplicavam-se as emboscadas e a sede da posse turvava todas as consciências. Cidades futurosas se levantavam ao longo das estradas desertas e ermas; mas, seus alicerces, a maior parte das vezes, se constituíam com o sangue e com a morte. (...) Os índios experimentam, amarguradamente, a atuação dessas forças contrárias à sua paz, que se concentravam à procura das riquezas da terra, e é com inauditos esforços de perseverança e de paciência que os caridosos jesuítas juntam suas aldeias ao Norte, com doçura fraterna, conquistando todo o Amazonas para a comunidade dos portugueses.

A esse tempo, no extremo norte convulsiona-se o Maranhão, sob os ímpetos revolucionários de Manuel Beckman, contra a Companhia de Comércio, que monopolizara os negócios da importação e exportação da capitania, e contra os jesuítas, cujo espírito de fraternidade se interpunha entre os colonizadores e os índios, no sentido de se manterem estes últimos dentro da liberdade que lhes competia. (...) A expedição que deverá restaurar a lei na capitania não se faz esperar e a Gomes Freire de Andrada, estadista notável pelo seu talento militar e político, cabe a direção do movimento restaurador. (...) Gomes Freire procede com magnanimidade para com os revoltosos, sem, contudo, poder agir com a mesma liberalidade para com Manuel Beck-man, que foi preso e sentenciado à morte. Sua fortuna teve-a ele confiscada, mas o grande oficial que comandara a expedição, dentro das tradições da generosidade portuguesa, arrematou todos os bens do infeliz, em hasta pública, e os doou à viúva e aos órfãos do revolucionário. (...)"

(Trecho extraído do livro "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho", de Chico Xavier,

pelo espírito Humberto de Campos, págs. 97-100.)


MOVIMENTOS NATIVISTAS

Fonte: http://www.ifcs.ufrj.br/~ppghis/pdf/topoi5a5.pdf

Rebeliões coloniais que ocorreram na segunda metade do século XVII e na primeira metade do século XVIII, com tendências localizadas. Não contestavam o sistema colonial e nem pretendiam a libertação da colônia. Uma das principais revoltas desse período foi a Revolta de Beckman (1684):

Os religiosos da Companhia de Jesus dominavam a situação política na região, proibindo a escravização dos índios.

Em 1682, o governo português, a fim de contornar a situação causada pelos jesuítas, criou a Companhia de Comércio do Estado do Maranhão, que se encarregara de abastecer a região com pelo menos 500 negros africanos, fato não cumprido. Os escravos africanos não foram trazidos para o Maranhão em número suficiente, e os gêneros alimentícios negociados pela companhia, além de muito caros, não eram de boa qualidade.

Revoltaram-se contra tal situação os fazendeiros (colonos), chefiados por Manuel Beckman, fazendeiro muito rico e respeitado na região. Os revoltosos expulsaram os jesuítas, declararam deposto o governador e extinta a Companhia de Comércio.Manuel Beckman governou o Maranhão durante um certo período, até a chegada de uma frota portuguesa sob o comando de Gomes Freire de Andrada. Manuel Beckman foi, então, preso e enforcado.

Fonte: http://www.linguativa.com.br/aprovar2/conteudo_aprovar.asp?chamada=48151



A Revolta de Beckman

Estes protestos acabaram gerando uma rebelião, em fevereiro de 1684, que ficou conhecida como Revolta de Beckman, por ter sido liderada por Manuel Beckman.

Os revoltosos - comerciantes e proprietários rurais de São Luís, contando com apoio popular - decidiram expulsar os jesuítas e extinguir a Companhia Geral de Comércio do Estado do Maranhão.

O irmão de Manuel, Tomás Beckman, foi enviado a Lisboa para que, na Corte, manifestasse claramente a fidelidade ao rei e à Metrópole, e lutasse pelas reivindicações que os colonos entendiam justas.

A administração portuguesa reagiu enviando um novo governador, Gomes Freire de Andrade, que, ao desembarcar em São Luís, com as forças que o acompanhavam de Portugal, não encontrou resistência.

Gomes Freire, então, restabeleceu as autoridades depostas, ordenando a prisão e o julgamento dos envolvidos no movimento. Apontados como líderes, Manuel Beckman e Jorge Sampaio receberam como sentença a morte pela forca.

Fonte: http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo01/rev_beckman.html


Não consegui descobrir muito sobre Gomes Freire de Andrada. Não na Revolta de Beckman. Achei algumas coisas relativas ao Rio. Vou pesquisar se é a mesma pessoa.

FLORES PARA VOCÊS!!!



Escrito por Mari às 09h50
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Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho

Encerrando o capítulo X...

Morte de Fernão Dias, óleo de Rafael Falco, salão nobre do Café Seleto. Fonte: http://www.vidaslusofonas.pt/fernao_pais_leme.htm

"(...) Em 1672, Fernão Dias Paes organiza, com todos os elementos de sua fortuna, a mais célebre das expedições saídas de São Paulo. Caçando as esmeraldas, que constituíam objeto das lendas de muitos aventureiros, visita todas as regiões auríferas de Minas Gerais. Rebeliões e discórdias são dominadas pela sua energia constante e severa. Para fortalecer a disciplina, o bandeirante audacioso manda enforcar o próprio filho, que participara da rebeldia geral, como escarmento aos companheiros, próximo à povoação do Sumidouro. As jóias da mulher e das filhas são empregadas no seu arrojado empreendimento, arruinando-se a família inteira. Fernão Dias, porém, segue um roteiro luminoso. Por onde passa com as suas caravanas, florescem povoações asseadas e alegres. Seus pontos de contacto com a terra paulista são os arraiais prósperos e fartos, que vai edificando nos caminhos desertos. As esmeraldas do seu sonho nunca foram encontradas e as pedras verdes que entregou ao genro no instante da agonia, como única expressão da sua fortuna, representavam, de certo, o símbolo suave das esperanças do seu labor e das suas lágrimas na terra do Evangelho. Próximo do local onde mandara enforcar o filho, nas margens do Rio das Velhas, o seu espírito de lutador se desprendeu igualmente do corpo exausto, e quando, no íntimo do seu coração, implorava a misericórdia do Altíssimo para o delito, com que exorbitara de suas funções na Terra, a voz de Ismael falou-lhe do Infinito:

— Irmão, as quedas, com as suas experiências sombrias, constituirão os degraus do teu caminho para as mais gloriosas ascensões espirituais. Atrás dos teus passos florescem cidades valorosas no coração das matas virgens, e os que recebem os teus benefícios abençoam o teu esforço e a tua energia perseverante. A essas mesmas paragens, onde turvaste a consciência por um instante, levado pelos rigores da disciplina, voltarás com teu filho, sob as asas cariciosas da fraternidade e do amor, a fim de reparares o passado cheio de tribulações e lutas incontáveis, porque, no coração misericordioso de Deus, repousam, eternamente, as luminosas esmeraldas da esperança e do amor, que procuraste a vida inteira.

Fernão Dias Paes abre os olhos materiais, pela última vez. Uma lágrima pesada e branca lhe corre pelas faces emagrecidas; mas, sobre o seu coração paira a bênção caridosa da terra dourada das minas, e, sentindo-se na posse das verdadeiras esmeraldas do seu grande sonho, o ínclito batalhador regressa de novo à vida do Infinito."


Fonte: http://www.vidaslusofonas.pt/fernao_pais_leme.htm

"No ano de 1674, deixou São Paulo e seguiram rumo ao sertão. Alcançaram Paraopeba, hoje São Caetano, no município de Queluz, onde fundou o segundo arraial. Fernão Dias foi abandonado por vários companheiros que regressaram à São Paulo. Em Sabarabuçu assim chamado pelos indígenas, fundou o terceiro arraial que ficou chamado Sumidouro. Ali permaneceu quatro anos fazendo excursões por toda a região. Seu filho natural comandou uma revolta. Fernão Dias então justiçou o próprio filho, para servir de exemplo. A expedição encontrou ouro e pedras preciosas, nas próximidades do Rio das Velhas. A bandeira prosseguiu para o norte (...). Explorou durante sete anos o inabitável sertão, enfrentando toda sorte de agruras. Por fim não resistiu a doença contraída na mata. Dizem alguns que no fim as esmeraldas eram falsas. A assiduidade e ousadia desse bandeirante muito contribuíram para o descobrimento do território brasileiro. Teve também a aptidão e mérito de iniciar o povoamento de Minas Gerais."

Fonte: http://www.e-biografias.net/biografias/fernao_dias.php


"1681. Comoção coletiva. Pedras, uma jazida delas, verde faiscante! É a recompensa pelos sete anos de investidas no sertão.

Doente, a barba toda branca cobrindo o rosto marcado pelos 73 anos, Fernão já não conserva sua rigidez. Aproxima-se do seu tesouro, toca-lhe. Ergue um punhado de pedras:

- Eis a prova de que estávamos certos, brada.

Em seguida, encarrega o sobrinho, Francisco Ribeiro, de levar a notícia a São Paulo:

- Leve algumas esmeraldas, para que não haja dúvidas.

De volta ao arraial do Sumidouro sente-se cansado e pede para ser deixado só. Permanece absorto por algumas horas até que se surpreende banhado em suor às margens do rio das Velhas. Volta a agarrar suas pedras, antecipa:

- Agora já posso morrer.

(...) Chove com violência e a canoa que transporta para São Paulo o corpo embalsamado do bandeirante vira ao atravessar o rio das Velhas. Os homens mergulham dia e noite à sua procura. Em vão.

(...) Maria entra na capela. Mesmo de luto, aos 39 anos é ainda uma bela mulher. Aproxima-se do túmulo e reza pela alma do marido. Recorda o sonho que tivera: calcula ela que no preciso instante em que o finado emergira e dera à margem: casarões e muita gente, talvez o progresso de que falava Fernão, todos a gritar e a aplaudi-lo, homenagem à coragem e aos feitos do bandeirante. Pouco importa que as esmeraldas encontradas por Fernão sejam apenas turmalinas, pedras sem valor. Mais longa tivesse sido a sua vida e outras esmeraldas, das verdadeiras, haveria ele de ter caçado... Apesar da desilusão póstuma, Fernão muito fez pelo Brasil e há de ficar na História. Está convicta. Que descanse em paz!

Benze-se, sai da capela, enxuga as lágrimas. Apenas um sonho... irá ela se lamentando até morrer.

(...) Três séculos mais tarde a BR-381, rodovia que liga São Paulo a Minas Gerais, ganha o nome de Fernão Dias. Afinal fora o caçador de esmeraldas quem rasgara fronteiras no interior brasileiro e impulsionara o ciclo do ouro. Homenagem tardia, porém homenagem, mais que um sonho..."

Fonte: http://www.vidaslusofonas.pt/fernao_pais_leme.htm


O que Humberto de Campos narra dispensa qualquer comentário... Ismael é mesmo um Anjo Lindo... Somente ele poderia consolar desta maneira um coração na sua hora extrema...

FLORES PARA VOCÊS!!!



Escrito por Mari às 09h18
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Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho

Retomando o capítulo X...

" (...) Ali se encontravam as entidades que seriam, mais tarde, entre muitos outros, Antônio Rodrigues Arzão, Marcos de Azeredo, Bartolomeu Bueno e Fernão Dias Paes. Este último, quebrando o silêncio da grande assembléia, exclamou, provocando geral interesse:

—  Anjo bom, que faremos com o ouro da terra, se no mundo ele é a causa sinistra de todas as lutas e o demônio de todas as ambições? (...)

Ismael não se demorou para esclarecer:

—  A Terra é a escola abençoada, onde aplicamos todos os elevados conhecimentos adquiridos no Infinito. Ê nesse vasto campo experimental que devemos aprender a ciência do bem e aliá-la à sua divina prática. (...) Precisamos entender essas brandas disposições das leis divinas, para que o determinismo do amor e da fraternidade constitua a lei da existência de todas as coisas e de todos os seres. Quanto ao ouro escondido no seio da terra exuberante, sua existência não significa senão um estímulo à ilusão dos homens, ainda muito distantes da concepção da verdadeira fraternidade, a fim de que as criaturas possam buscar os tesouros espirituais pelo trabalho fecundante da evolução do mundo. Procurando a grandeza ilusória do ouro, edificareis as cidades novas, fomentareis a pecuária e a agricultura, desbravando caminhos inóspitos em favor de outras almas. (...)

Dirigindo-se mais particularmente a Fernão Dias, Ismael sentenciou:

— Serás o chefe da expedição mais difícil de todas; porém, da tua coragem há de surgir um caminho novo para todos os espíritos. Muitas vezes serás compelido a exercer a mais rigorosa justiça, despendendo todas as tuas reservas de energia; mas, é preciso não esqueças a misericórdia divina, sem exorbitar das funções que te forem confiadas, entregando a Jesus os teus trabalhos de cada dia.

O grande bandeirante recebeu submisso a determinação do divino emissário. Daí a alguns anos, nos dois últimos quartéis do século XVII, as bandeiras paulistas se espalharam por todas as regiões da terra virgem. (...)"

(Trecho extraído do livro "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho" de Chico Xavier, pelo espírito Humberto de Campos, pgs. 91-93.)


FERNÃO DIAS PAES

Fernão Dias. Óleo de Manuel Victor. Fonte: http://www.pick-upau.com.br/expedicoes/bandeirantes/passado.htm#02

"No início do século XVII, São Paulo era uma pequena vila com menos de dois mil habitantes. A economia do lugar era baseada numa agricultura de subsistência. Foi nessa vila, em 1608, que nasceu Fernão Dias Paes, filho de uma 
respeita família. (...) Logo se destaca por seu trabalho enérgico e começa a fazer uma brilhante carreira de administrador. Cuidando de suas próprias terras, Fernão Dias acabou por fazer a maior fortuna de São Paulo daquele tempo. Toda essa riqueza Fernão dissiparia na busca de ouro e pedras preciosas. Mas antes disso participara daquilo que até então era a principal "riqueza" de São Paulo: a venda de escravos índios capturados nas matas das terras sob controle dos paulistas. (...) Com o fim do bloqueio do tráfico de negros africanos, queda da produção açucareira e desgaste da economia da região, não havia mais interesse na mão escrava indígena. Os índios trazidos, segundo se diz, formaram uma aldeia às margens do rio Tietê, sob a administração do próprio Fernão Dias.

Naquele mesmo ano o administrador recebe uma carta do Rei de Portugal solicitando ajuda  numa expedição que, sob o comando de Barbalho Bezerra, sairá à procura de ouro. Fernão Dias participa dessa missão, que marca o início de um novo ciclo. Em outubro de 1672 é nomeado "Governador de toda gente de guerra e outra qualquer que tiver ido ao descobrimento das minas de prata e esmeralda". Os preparativos para a expedição duraram três anos; apesar das promessas das autoridades portuguesas, tudo foi financiado pelo próprio Fernão Dias. A 21 de julho de 1674 de 674 homens. Supõe-se que a expedição tenha rumado para a cabeceira do rio das Velhas, pela serra da Mantiqueira, passando por Atibaia e Camanducaia. Ao longo do caminho iam surgindo pousos e roças. (...) Depois de sete anos dentro do sertão, os bandeirantes estão virtualmente dizimados por ataques indígenas e pelas doenças tropicais. Muitos retornam para São Paulo. Já desanimados, os esgotados remanescentes jogam suas redes na lagoa Vupabuçu e, por fim, recolhem algumas pedras verdes. É o suficiente para se festejar. Finalmente inicia-se o retorno, mas Fernão Dias, corroído pela febre que já havia matado tantos de seu grupo, morre em pleno sertão, sem saber que havia encontrado turmalinas e não as sonhadas esmeraldas.

Pouso de monção à margem do rio Tietê, óleo de Zilda Pereira.

Fonte: http://www.pick-upau.com.br/expedicoes/bandeirantes/passado.htm#01


Amigos, amanhã conheceremos mais sobre Fernão Dias e as Bandeiras.

 

FLORES PARA VOCÊS!!!

 



Escrito por Mari às 00h11
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